Os desafios do empreendedorismo feminino no Brasil
Os desafios do empreendedorismo feminino no Brasil
05/05/2022

Os desafios do empreendedorismo feminino no Brasil

O empreendedorismo feminino é uma alavanca que move a economia e traz dignidade para inúmeras famílias que têm apenas a mulher à frente do sustento familiar, principalmente nas classes menos favorecidas. Embora a participação das mulheres empreendedoras seja de 34% no universo de donos de negócio no Brasil, o percentual ainda está abaixo da melhor marca histórica registrada no 4º trimestre de 2019, quando elas representavam 34,8% do total.

Com a perspectiva de retomada econômica, o empreendedorismo feminino, que foi muito afetado na pandemia devido ao fechamento de negócios, começou a apresentar sinais de recuperação. Dados mostram que o número de mulheres à frente de um negócio no país fechou o quarto trimestre de 2021 em 10,1 milhões, mesmo resultado registrado no último trimestre de 2019, antes da pandemia. No segundo trimestre de 2020, o número havia totalizado 8,6 milhões. Além disso, o percentual de mulheres que fazem sozinhas a gestão de seus negócios chega a 63%.

Há muitos desafios para vencer. De fato, com a reabertura das escolas e a vida voltando ao normal, essas mulheres, que ficaram sem redes de apoio de cuidado para os filhos e que em muitos casos tiveram de assumir totalmente ou parcialmente as despesas familiares, mesmo com menos condições de se dedicarem às suas atividades econômicas, estão conseguindo retomar os negócios. Sem falar nas duplas ou triplas jornadas que encaram, elas recebem menos investimentos de políticas públicas e sofrem com o peso do machismo que ainda acompanha o mercado empresarial.

É certo que ainda faltam programas de aceleração que buscam fomentar e profissionalizar práticas empresariais e políticas públicas para valorizar as competências e habilidades das mulheres empreendedoras, além de mais programas com linhas de financiamento exclusivas para empresas comandadas por mulheres. Afinal, entre as maiores “dores” das empreendedoras, destaca-se justamente a falta de capital de giro (cerca de 44% relataram isso em pesquisa do Sebrae).

Mesmo diante das dificuldades enfrentadas, sobretudo diante da pandemia e da falta de investimentos direcionados para as empreendedoras, as empresas lideradas por mulheres vêm se destacando ano a ano, principalmente no quesito inovação. É o caso das femtechs, startups lideradas por mulheres com produtos e serviços com soluções adequadas à realidade do público feminino. O mercado é tão forte que foi visto pela Forbes como um dos mais importantes para as próximas décadas nos Estados Unidos, segundo a qual o mercado das femtechs movimentará cerca de US$ 50 bilhões em um futuro próximo.

Ainda de acordo com a publicação, o ramo é um dos que mais recebe investimentos por lá, algo que também pode se repetir aqui no Brasil, já que as femtechs exploram um segmento que ainda tem muito a crescer e que apresenta uma importância que vai além da própria lucratividade do negócio.

Vale ressaltar que diversos negócios femininos surgem de uma dor ou necessidade que as mulheres têm em comum, como foi meu caso e da minha sócia ao investirmos em uma startup voltada para o universo da maternidade. As mães queriam ter experiências ímpares relacionadas a momentos como a gestação do bebê, nascimento e mesversários, mas tinham dificuldade de achar produtos para todas as fases da criança que acompanhassem a jornada materna.

Decidimos basear a nossa produção justamente nesse perfil de mães, chamadas de millenials: independentes, produtivas, conectadas e sobrecarregadas. Além disso, quando uma mulher empreende traz consigo outras, criando uma onda grande que levanta tudo que está no seu entorno, como é o caso de vários projetos sociais de mulheres empreendedoras que empregam outras mulheres e mães em suas empresas ou fábricas, gerando empregos e criando políticas e diretrizes que estão alinhadas às necessidades das mulheres que além de trabalhar também são esposas, mães e administradoras do lar.

As mulheres são maioria na população mundial e também no Brasil. É um público que não pode ser ignorado e que tem grande potencial de crescimento. Potencial que deve ser alavancado com o otimismo da maioria dessas empreendedoras, já que cerca de 92% acredita que suas empresas crescerão nos próximos anos. Não existe dúvida do poder feminino da transformação da realidade atual para um universo muito melhor. Basta ter capacitação e persistência!

Fonte: Monitor Mercantil

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